Mulheres, os números não mentem, a desigualdade permanece

Na Constituição brasileira, especificamente no Artigo 113, inciso 1, lemos: “todos são iguais perante a lei”. Aos olhos de Deus e penso que no coração Dele, todos nós, mulheres e homens, somos seus filhos e filhas sem distinção alguma. Sabemos, contudo, que tanto a Bíblia, quanto a carta magna deste país, sempre e por muito tempo foram interpretadas quase que exclusivamente por homens, pertencentes a uma sociedade patriarcal, culturalmente machista, que nega às mulheres muitos direitos concedidos aos homens.

Olhe para o lado e observe a sua mãe. Existiria o mundo sem a força desta mulher, sem o útero gerador da vida? A ela, foi depositada a responsabilidade e a graça de gerar, e mais, de assumir ao lado do homem, seu papel cidadã garantindo o bem estar a si e às futuras gerações. Agora, que cidadã é essa, que conta na maioria das vezes, com deveres, sem que seus direitos essenciais sejam reconhecidos? A cidadania plena consiste em direitos e deveres.

Em pleno século XXI, as mulheres ainda não são tratadas de forma igual aos homens. Falácia? Vamos aos números. Dados do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, divulgados nesta manhã (08/03), informam que o rendimento médio do trabalhador de gênero masculino é de R$ 1.070,07, já as trabalhadoras possuem renda média de R$ 700,88, tendo em vista, que as mulheres estudam mais. São 7,6 anos de estudo para as mulheres e 7,2 anos de estudo para homens

Os números ainda apontam que 34,9% das famílias no Brasil são chefiadas por mulheres, que tem conseguido, graças à implementação de políticas públicas de fortalecimento de sua identidade, entrarem no mercado de trabalho. Mas isso não lhes tira a responsabilidade “natural”, pelo trabalho doméstico. Elas dedicam 23,9 horas por semana, às tarefas do lar, enquanto eles, destinam somente 9,7 horas por semana. 42,1% das mulheres empregadas no Brasil, trabalham em condições precárias, os homens são 26,2%. A taxa de desocupação segue com 5,2% para os homens e 9,6% para as mulheres.

No Brasil há 6,2 milhões de trabalhadoras domésticas, ou seja, 15,8% da população feminina, que possuem em média, renda mensal de R$ 350,77, cifra inferior ao salário mínimo. No campo, 28,5% das mulheres trabalhadoras não possuem rendimentos. Trabalho escravo? Exploração? Estes são dados econômicos e refletem diretamente na identidade e valorização da mulher brasileira, que luta contra a interpretação parcial de seu papel na sociedade, e ao lado do homem, quer acabar com esse impasse da humanidade pós-moderna: enfrentar a problemática da relação de gêneros definindo o lugar do homem e da mulher.

O lugar do homem deve ser ao lado da mulher, e o lugar da mulher deve ser ao lado do homem, ambos como cidadãos, que buscam seus direitos sem discriminação de raça e gênero.

Definir a importância e o papel da mulher na sociedade pós-moderna é como definir a mulher: simples e complexa. Requer um olhar. Olhe para o lado, veja a mãe que amamenta o filho, veja a menina que enfeita os cabelos, observe as senadoras, prefeitas, vereadoras, deputadas, governadoras, presidentas que enfrentam o machismo dos ternos e o pragmatismo das leis por eles criadas. Veja as enfermeiras, médicas, cabeleireiras, arquitetas, engenheiras, floristas, artesãs, biólogas, professoras, advogadas, jornalistas, são tantas as mulheres, tantos os sorrisos e formas de resistência.

Olhe para a cozinheira, para a lavadeira, para aquela que lava o seu chão, suas roupas, sua louça, para aquela que leva a Comunhão, o Pão, a Palavra, o amor, para aquela que te ama. As mulheres negras, missionárias, religiosas, indígenas, migrantes, campesinas, sem teto, sem terra, olhe para as pobres e excluídas, as não convencionais deste sistema, as gordas, as magras, as ruivas e morenas, as que sustentam seus cachos, e quebram os quadris na da

nça do dia-a-dia. São tantas as mulheres, a resposta está em cada uma delas. No silêncio e no grito, no riso e na lágrima.

Que no seio da Mãe Terra, brote a igualdade, fora a discriminação e o preconceito, que nós mulheres, saibamos reescrever a história da civilização, por um prisma mais humano, gerador de vida, verdade e paz.

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Publicado por Karla Maria

jornalista, autora do livro de reportagens Mulheres Extraordinárias, Paulus Editora

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