Reciclagem gera renda e capacitação profissional

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Meio Ambiente / Política(s) / Religião / São Paulo

texto Karla Maria
fotos Luciney Martins

Outra iniciativa que defende a vida em suas diversas formas foi encontrada no Glicério, centro de São Paulo. Trata-se do Serviço Franciscano de Apoio à Reciclagem (Recifran), um serviço que ajuda catadores de resíduos a resgatarem a sua dignidade, a sua cidadania, a se organizarem e  conquistarem autonomia. Instalado em prédio cedido pela prefeitura, desde  2002, no Recifran participam 35 pessoas, sendo 24 homens e 11
mulheres, todos em situação vulnerabilidade social e albergados.

O material reciclado vem de parcerias, passa por triagem, prensagem, pesagem e comercialização, que chega a vender 11 toneladas de recicláveis
por mês. Tudo feito pelos próprios participantes, com o acompanhamento da coordenadora técnica, Ângela Nunes de Assis. Ângela esclarece que o  trabalho visa fortalecer o resgate da pessoa humana, proporcionar uma formação cidadã, a capacitação profissional, para que o participante se insira em cooperativas ou no mercado de trabalho, e a ajuda ao meio  ambiente.

“Queremos estimular um novo pensar com o meio ambiente, o “lixo” é uma  fonte de renda para eles [os participantes], queremos, portanto, que eles repensem a sociedade”, disse a coordenadora, lembrando que esse é um dos
“Rs” que sustentam o projeto ambiental, que busca também: reduzir o  consumo, reutilizar o que é possível com arte e criatividade e por fim  reciclar.

Uma das participantes é Bruna Correia, gaúcha de 23 anos, que está há dois em São Paulo. Já morou nas ruas da cidade, convivendo com o frio e
o preconceito, hoje vive junto com seu companheiro em um albergue da  prefeitura. “Aqui, ajudo o meio ambiente, tiro uns 150 reais por mês e  almoço muito bem no “Minha Rua, Minha Casa” [Organização de Auxílio Fraterno que tem convênio com o Recifran]. Não sei como vai ser daqui  para frente, mas é bom trabalhar aqui”, disse Bruna.

Rubem Cesar, 43 anos, trabalha há um mês no Recifran e vê a oportunidade,  como um meio de se capacitar. “A gente visa a cooperativa, aqui é como um curso, vou seguir para a prática”, disse Rubem, morador do Albergue  Pedroso.  A reciclagem de vidas, acontece junto a dos materiais coletados.

No país, o alumínio continua a ser destaque, com índice de reciclagem, em 2008, de 91,5% – uma redução em relação a 2007. Para o restante dos materiais Projeto franciscano de reciclagem gera renda e capacitação profissional investigados pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem
(Cempre), à exceção das embalagens longa vida (cartonadas ou tetrapak), os
índices de reciclagem variam em torno de 45% e 55%, todos com tendência crescente ou estável. Para as embalagens tetrapak, os valores são mais
baixos (cerca de 25%), embora também crescentes.

O Recifran é um projeto social da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, criado em julho de 2002 e se mantém também por meio de doações vindas de diversos locais do mundo.  A sede do projeto que recebe material fica na rua Junqueira Freire, 176, no Glicério. Mais informações 3209-4112 ou recifran@sefras.org.br.

Publicada no O SÃO PAULO

The Author

jornalista, autora do livro de reportagens Mulheres Extraordinárias, Paulus Editora

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