O jornalista precisa mudar!

No Brasil é assim. Alguns logotipos de imprensa só causam exasperação. É o caso dos da Rede Globo e o da RBS. Para a maioria dos militantes da luta popular eles são símbolos da mentira, da opressão e da manipulação. E essa não é uma reputação conseguida ao acaso. O fato é que a nave mãe (Globo) conseguiu impor um jeito de fazer jornalismo que impregna praticamente todas as redes, principalmente as suas filiadas, como é o caso da RBS. Teoricamente poderíamos enquadrá-lo no campo do jornalismo funcionalista, ou seja, aquele que apenas responde as seis perguntas – onde, quem, como, quando, o quê e por que – sem maiores preocupações com a análise ou o contexto da notícia. Mas, para além da prática do chamado jornalismo liberal (o que pretensamente mostra os dois lados), há toda uma tradição de ocultamento e meias verdades que forjam a usina ideológica da elite e da classe média brasileira. A televisão, com a Globo à frente, é uma fábrica de mentiras, na qual os pobre só aparecem como bandidos e os lutadores sociais como baderneiros “terroristas”. Para os jornalistas que atuam nestas redes fica colocado, então, um grande desafio. Muitos deles – senão a maioria – estão bem integrados ao jeito de fazer jornalismo que consagra cada uma delas. Mas outros há que buscam fugir destas malhas de desinformação e precisam de um longo caminho até serem recebidos com confiança pelos movimentos sociais e pelos moradores das periferias. Não é sem razão que, em campos conflagrados, como é o caso do Rio de Janeiro atualmente, os jornalistas sejam alvos do ódio e da revolta popular. O que parece interessante é que a maioria das redes e dos periódicos, bem como os órgãos de classe dos jornalistas, não se faça perguntas sobre os por quês dos ataques e do ódio. Há notas de repúdio, há declarações e editoriais virulentos, mas nenhuma linha sobre o tipo de jornalismo que se anda fazendo por aí.

Sempre defendi que o jornalismo não se presta a adjetivos, tais como jornalismo policial, econômico, político, etc… O jornalismo é feito de um único pacote: análise do dia, investigação, contexto, impressão de repórter. Pode-se fazer isso nas mais diferentes áreas, mas é sempre o mesmo fazer contextualizado, partindo de uma situação singular e buscando narrar os fatos de maneira a levar ao leitor/espectador/ouvinte a universalidade do fenômeno, para que cada um possa fazer sua interpretação e chegar a suas próprias conclusões. Narrativas abertas, que respeitam a inteligência do receptor, mas que não se furtam a deixar bem claro o ponto de vista a partir do qual o repórter está narrando. Isso é jornalismo, feito de forma honesta e respeitosa.

Mas, o que se vê, cotidianamente nas televisões, o que se lê nos jornais, revistas e páginas da internet, ou o que se ouve no rádio, não merece ser chamado de jornalismo. Costumo chamar a isso de “gosma”, alguma coisa assim como aquela “coisa verde” de um velho filme de Boris Karloff, “A bolha assassina”. Ou seja, um negócio que vai tomando e engolindo tudo e todos, numa gosma informe e mal cheirosa. Com boa vontade poderíamos chamar a esse tipo de informação que campeia pelas redes informativas de “boa propaganda”, porque quase sempre se prestam a incensar pessoas, empresas, autoridades, fontes oficiais, geralmente os ricos e poderosos. Estes são os que têm voz e vez nas emissoras e só o seu ponto de vista é passado com respeito. Os demais, a ralé, a malta, os empobrecidos, estes estão fora, e quando falam são os coitados ou os marginais. Os exemplos são muitos.

A guerra dos madeireiros contra os índios na região Amazônica é legítima porque os empresários são gente trabalhadora que lutou muito para grilar terras. Já os camponeses do MST são terroristas porque querem terra pra plantar e soberania alimentar. Sempre há dois pesos e duas medidas para as lutas. Quem viu a cobertura da recente crise na Argentina envolvendo os ricos fazendeiros que deixaram o país desabastecido e trancaram estradas por três meses, sabe do que falo. Eram trancamentos legítimos, desobediência civil. Mas imaginem se o movimento de tranca-rua fosse levado a cabo por agricultores sem-terra, desalojados pela monocultura da soja? O que a mídia diria? Desobediência civil legítima ou terrorismo? É, assim é a nossa mídia de cada dia. E o que é pior, com os jornalistas cada vez mais enquadrados neste esquema infernal. Poucas vozes se escutam contra essa prática criminosa de encobrir, enganar. A ditadura midiática parece não ter muitos opositores.

Quando o jornalismo é usado para o crime

Por conta de toda essa prática não causa surpresa nenhuma que as entidades sindicais da categoria dos jornalistas se mantenham silenciosas diante dos fatos abomináveis que aconteceram na Colômbia envolvendo o jornalismo. Nenhuma nota nos jornais, nenhuma fala na CNN. Silêncio reverente. Afinal o que aconteceu foi lá longe, num longínquo país do norte da América do Sul. Mas, o que aconteceu na Colômbia é paradigmático e deve ser  debatido à exaustão.

E o que aconteceu? Pois o governo de Álvaro Uribe, durante o comentadíssimo resgate de Ingrid Betancourt, saudado e incensado como um golpe fatal nos “terroristas” das FARC, usou de dois subterfúgios que deveriam ter levantado a ira mundial. No helicóptero que baixou  em meio à selva estavam pintados dois logotipos respeitados por todas as gentes desta nossa América profunda: o da Cruz Vermelha e o da Telesur. A Cruz Vermelha, todos sabem, é um símbolo da ajuda humanitária em tempos de guerra. É quem leva esperança de cura para os que estão sob fogo cerrado. Tem lá suas idiossincrasias, mas, enfim, o símbolo desta entidade é reconhecido internacionalmente como uma entidade confiável. Já a Telesur, apesar de jovem, criada há pouco tempo pelo governo venezuelano, se firmou entre os movimentos sociais como uma emissora de televisão que garante o espaço para as vozes marginalizadas pelo sistema. É uma rede latino-americana que se propõe a mostrar a verdadeira cara desta parte do continente, colocada ao lado da comunidade das vítimas.

Pois o uso do logotipo da rede latino-americana não foi debatido por ninguém. Talvez porque pareça incrível aos jornalistas brasileiros uma emissora de televisão ser respeitada, amada e receber a confiança das gentes em luta. O que é normal por aqui é ver os carros das grandes redes sendo apedrejado e os profissionais sendo rechaçados pelos movimentos sociais, porque as gentes sabem que estas emissoras servem ao grande capital, aos poderosos, à elite cortesã das multinacionais e do jeito colonizado de viver.

O presidente Uribe não se constrangeu em confessar que usou os dois logotipos alegando que era necessário para que a operação desse certo. Ou seja, assumiu a ação criminosa e praticamente nenhum órgão de imprensa discutiu esta questão. É que o presidente da Colômbia se encaixa naquilo que Noam Chomsky chama de “vítimas amigas”. Isso significa que quando alguém amigos dos Estados Unidos ou do poder constituído comete algum crime, por ser amigo do “império”, sua ação criminosa fica obscurecida, não é alardeada. A notícia é dada, mas muito sutilmente. E assim foi.

Nem mesmo as entidades dos jornalistas, que se apressaram a gritar contra o governo venezuelano quando este usou do legítimo direito de encerrar a concessão de uma empresa que não cumpria a lei, divulgaram ou soltaram notas de repúdio.

Este pequeno texto procurar abrir a cortina espessa que atravessa o olho da categoria que deveria ser o arauto da verdade. Apesar da penúria das nossas redes de informação, apesar da falta de compromisso público, do descarado posicionamento em favor das elites e dos poderosos, da mentira e do acobertamento, ainda se pode pensar na possibilidade da prática de um jornalismo libertador. Um jornalismo de verdade, capaz de estar ao lado das vítimas do sistema opressor, que possa entregar às gentes em luta o espaço onde se expressar. Esse jornalismo existe e é respeitado. E tão respeitado que foi usado numa ação de guerra. Então por que os jornalistas brasileiros, suas entidades de classe, não falam sobre isso? Por que não informam, não contam a verdade, não denunciam?

Arrisco um palpite. Denunciar esta trama é reconhecer nosso próprio fracasso. Fracasso como jornalistas, incapazes de lutar contra o titã, submetidos a uma razão empresarial, praticando auto-censura, vilipendiando a prática do jornalismo, transformando nosso fazer em propaganda de um mundo falido. A Telesur não é o paraíso do jornalismo, é certo. Mas é uma proposta em construção. O que a torna única é justamente esse compromisso com o outro, a vítima, o sem lugar. É a explicitação de um jornalismo honesto, que se posiciona e deixa claro, ao telespectador, que se posiciona. Não é enganador como o que se pratica por aqui, que se diz imparcial, enquanto só expressa a visão de mudo dos que detém o poder.  Termino dizendo o que tenho levado a vida a dizer: o jornalismo é um lindo fazer, capaz da analise, da contextualização, da impressão. Ele não está em crise. Porque o jornalismo não é um ente com vida própria. O que está em crise, ou mal formado, é o jornalista. Estes homens e mulheres jornalistas são os que precisam mudar para que nós, no Brasil, possamos avançar para uma verdadeira soberania comunicacional.

Elaine Tavares – Jornalista no Instituto de Estudos Latino Americanos

http://www.iela.ufsc.br/

CEBs defende os Ecossistemas de São Paulo

No último fim de semana estive em Campinas – cidade de 1 milhão de habitantese , vivenciei ali algo de novo. Estive participando e cobrindo o Encontro Estadual das CEBS – Comunidades Eclesiais de Base, que têm como proposta e objetivo, fazer uma Igreja mais próxima e voltada aos pobres e excluídos. A exeperiência de vivenciar o Evangelho no dia-a-dia, assusta aos católicos mais ortodoxos, o que é uma pena.

Durante aquele final de semana fui acolhida por uma família jovem, porém muito animada, divide com a IR. Maria Alberta – presidente emérita da CPT, Comissão Pastoral da Terra. O acolhimento caloroso, o comprometimento com o nosso cuidado, conforto e alimentação, destoam completamente da lógica individualista de nossos dias.

O Encontro das CEBs trabalhou com o tema – “CEBs em defesa dos ecossistemas do Esado de São Paulo”; palestras proferidas por cientistas, teólogos e intectuais, contando com a atenção de uma multidão de líderes comunitários, agentes de pastorais, membros e assentados do MST – Movimento dos trabalhadores rurais, bem como interessados no tema e na maneira como a CEBs trabalha e promove a igualdade.

Surpreendi-me durante as oficinas de trabalho, com a clareza, e aividades exercidas pelos participantes em suas regiões locais, o cuidado com a natureza, a responsabiolidade no coonsumi e descarte de cada produto. Neste espaço vi mais consciência social e ambiental, do que nos bancos da faculdade.

Enfim…este jeito de ser e fazer Igreja, aproxima as pessoas, faz delas discípulos responsáveis por suas ações e assim, comprometidos com a causa do “outro”. Otrem das CEBs não pára, e esta à caminho de Porto Velhor, para o Grande Encontro Nacional.

http://it.ismico.org/content/view/3751/27/

Reforma Agrária, já!

10° Romaria da Terra: clamor por justiça

 

“Trabalhadores, Trabalhadoras! Terra Livre, Água de Todos e Povo Soberano!, com este tema a CPT – Comissão Pastoral da Terra, durante coletiva de imprensa, realizada dia 8 de julho na sede da CNBB em SP, apresentou os objetivos da 10° Romaria da Terra de São Paulo, que acontecerá dia 3 de agosto, saindo da Região Brasilândia com destino à Comuna Ir. Alberta.

 

A CPT convida a todos os cristãos, a participar desta manifestação em defesa da vida, da terra e de uma Reforma Agrária para este país, que segundo o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária,  cerca de 3% do total de suas propriedades rurais, são latifúndios, possuem mais de mil hectares e ocupam 56,7% das terras agriculturáveis. A área ocupada pelos estados de São Paulo e Paraná juntos está nas mãos dos 300 maiores proprietários rurais, enquanto 4,8 milhões de famílias estão à espera de chão para plantar.

 

A Romaria é organizada por homens e mulheres, agentes de pastoral, Entidades Sociais, Movimentos Populares e Sindicatos que acreditam, que este contexto de exclusão no Brasil pode e deve mudar, através do cumprimento da Constituição Federal, que em seu artigo 5° estabelece: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito á vida, á liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

 

Fazer a Reforma Agrária é questão urgente, afirma Luiz Andriollo, padre comboniano, que durante a coletiva lembrou a artigo 29 promovido pelos Bispos em Assembléia, da necessidade de promover justiça entre todos os filhos de Deus. A distribuição de terras improdutivas, que não exercem sua função social é garantida pela constituição, reforça padre Luiz.

 

Segundo a Constituição, artigo 186°, quando a propriedade: tem aproveitamento rural e adequado com seus recursos naturais disponíveis, respeita o meio ambiente; observa as disposições que regulam as relações de trabalho e ainda, a exploração da terra favorece o bem-estar de proprietários e trabalhadores, ela está cumprindo sua função social; quando a terra não obedece estas disposições, compete à União desapropria-la para fins de reforma agrária.

 

É, portanto, baseado neste documento, que rege a sociedade brasileira, que a CPT, o MST e os demais movimentos, clamam por justiça e convocam a todos para a 10° da Romaria da Terra em São Paulo.

 

Ir. Alberta, durante a coletiva fala da origem das

Comunas da Terra em São Paulo

 

Durante a coletiva, Ir. Maria Alberta Divarti, presidente emérita da CPT – Comissão Pastoral da Terra, revela que as comunas surgiram através do trabalho na pastoral de rua, no centro de São Paulo; diante da realidade dos moradores de rua, irmã Alberta “com grande alegria”, convidava os moradores a irem ocupar os assentamentos. Com o auxílio do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais.

 

Ir. Alberta fazia um trabalho de conscientização de direitos e deveres de cada um, recuperando a identidade de cada morador de rua como cidadão, questionando a necessidade de cobrar seus direitos, de se localizar no espaço público e identificar quem pode defendê-lo: “ele via que a única esperança vinha da Igreja”, afirma Ir. Alberta.

 

Os moradores que vinha das ruas do centro de São Paulo e suas famílias formaram os acampamentos; hoje ao redor de São Paulo há cinco assentamentos: Dom Tomás Baduíno, D. Pedro Casaldáglia, Ir. Alberta, Che Guevara, em  Limeira e Comuna Urbana de Jandira.

 

Os acampamentos são chamados de Comunas da Terra; nelas cria-se um novo projeto de trabalho de conscientização e de futuro, no qual, cada morador obtém o título de sua terra e fica impedido de vende – lá.

 

O primeiro acampamento foi o de Franco da Rocha, que neste mês de julho inaugurou 61 casas, construída em mutirão com pouco dinheiro, auxiliados pelos arquitetos da USP.  

A participação da juventude na Romaria

A Juventude do Estado de São Paulo, neste ano se une à Romaria da Terra, para somar forças e caminhar juntos com alegria, por uma vida digna e justa, para todos os jovens, homens e mulheres deste país, que é bonito demais.

 

Parte da carta da Pastoral da Juventude, convocando todos os jovens a Romaria, demonstra a missão de cada jovem batizado: “a exemplo dos discípulos missionários de Jesus, saímos de nossas casas cheios de esperança (Doc. Aparecida, 2007 – 21), tendo a certeza de que nosso batismo nos impulsiona a construção de uma realidade mais justa”.

Balanço dos 10 anos da Romaria da Terra

Dom José Maria, bispo responsável pela Pastoral da Terra, amanhã, dia 8 de julho, terça feira, às 15h dará uma coletiva de imprensa na sede da CNBB; ele fará um balanço dos 10 anos de Romaria da Terra, no estado de São Paulo, falará ainda do atual momento da luta pela terra, analisando a situação da reforma Agrária no Estado de São Paulo e as perspectivas da CPT no Estado.

No próximo dia 3 de agosto acontece, em São Paulo, a 10ª Romaria da Terra, com o tema ‘Trabalhadores, Trabalhadoras! Terra Livre, Água de Todos e Povo Soberano!’ A Comissão Pastoral da Terra promove a Romaria com apoio de Entidades Sociais, Movimentos Populares e Sindicatos e conta este ano, com a presença da juventude do estado.  

Coletiva:

Dia 8 de Julho, terça-feira, às 15h
Sede da CNBB-Sul 1
Rua Prof. Sebastião S. de Faria, 57, 5º andar
Bela Vista – São Paulo

Mais informações com Eduardo Souza

Assessoria de Imprensa da CPT/SP
3209 7945 cel. 9154 5261

Roteiristas lutam por Liberdade de expressão

A *A.R*. (*Associação de Roteiristas*), através de abaixo-assinado, afirma que não concorda com o uso do chamado “Manual da Nova Classificação Indicativa”, elaborado pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação e da ANDI – Agencia de Noticias dos Direitos da Infância.

Entendem os autores e roteiristas da A.R. que, mesmo deixando às emissoras a responsabilidade pela Classificação, a Portaria do Ministério da Justiça não contribui para a melhora do audiovisual brasileiro, tornando-se, pelo contrário, instrumento que pode inibir e censurar a atividade criativa.

Esclarece que é a favor da Classificação Indicativa de faixa etária dos programas de televisão. Sabe que essa classificação é um direito do cidadão,  garantido na constituição. E concorda com o documento quando afirma que a classificação deve ser resultado de um diálogo permanente com a sociedade.

Mas é contra a associação entre classificação indicativa e horário obrigatório de exibição do programa.

A classificação Indicativa permite ao cidadão escolher se quer ou não que sua família e seus filhos tomem contato com determinado conteúdo. Ser indicativo é ser democrático. O horário obrigatório, ao contrário, não é democrático. Em tempos nos quais ondas de obscurantismo ditatorial avançam sobre as conquistas civilizatórias, a transparência deve ser sempre buscada, especialmente em relação a medidas que interfiram nos meios de comunicação, principal via para a construção da verdadeira democracia.

Forçar, por exemplo, um programa a ser exibido em horário avançado, impede o acesso de  parte da população e acaba *prejudicando muitos  por determinação arbitrária de alguns, o que vem justamente a configurar censura.*

Queremos deixar claro que nossa posição é distinta das emissoras de televisão. Por exemplo: quanto à diferença de fusos horários no país, que redunda em horários de exibição diferentes, opinamos que essa é uma questão puramente comercial ou técnica – fora do nosso foco – que deve ser resolvida pelas emissoras.

Nossa bandeira é a da liberdade de expressão. Não nos opomos ao controle social da programação televisiva.  Desejamos um controle democrático. O controle, como entendemos, almeja a diversidade da programação, não interfere em conteúdos e aumenta o grau de liberdade e escolha do conjunto da sociedade. Temos o projeto de uma Nova Lei Geral para as Comunicações, prevendo apoio aos produtores independentes, a criação de uma cota de tela para a teledramaturgia nacional, a regionalização do audiovisual, entre outras medidas.* *

Ao obrigar o Estado a fazer classificação indicativa, a Constituição diz claramente que ela não pode ser imposta, tem de ser apenas indicativa. Com isso garante a liberdade de expressão nas obras artísticas e no entretenimento. *

A *A.R*. considera que é direito do cidadão, dos artistas e das emissoras de televisão (que são concessões públicas e democráticas) definir o horário que o programa será exibido, de acordo com critérios de interesse da maioria da população. Acredita que o critério para exibir um programa em determinado horário deve ser indicado pelos espectadores de televisão e não por decreto ou influência de algumas associações da sociedade civil.

Em suma, a *A.R*. concorda que fazer classificação indicativa é um dever do estado democrático e que esta deve ser promovida em diálogo com a sociedade civil, incluindo os criadores de televisão e as emissoras. Mas está convicta de que obrigar a exibição de um programa em determinado horário é uma forma de censura.

Como representante de autores, roteiristas e criadores de programas, a *A.R é a favor da liberdade de expressão e contra qualquer espécie de censura.  A AR foi fundada há cerca de seis anos e conta com mais de 200 membros, entre eles os principais autores da teledramaturgia atual, roteiristas de cinema e de todas as mídias.

Assoaciação Brasileira dos Roteiristas

XIV Romaria da Juventude Paulista

A Juventude do Estado de São Paulo, no próximo dia 03 de agosto, realizará sua XIV Romaria; com o tema Trabalhadores, Trabalhadoras! Pela Vida, Terra Livre, Água de Todos e Povo Soberano!”, a juventude se une à CPT – Comissão Pastoral da Terra, na luta por estes direitos já garantidos pela Constiuição Federal, porém, não cumpridos na prática.

A Romaria começará com uma grande concentração no Centro Pastoral Santa Fé, às 7h e de lá, junto ao Bispo da Região Brasilândia – Dom Simão, os jovens partirão com destino à Comuna Irmã Alberta, onde acontecerá um ato de comunhão com todos os romeiros e romeiras. 

E

stima-se que o percurso seja de 2 horas e reúna aproximadamente 10 mil pessoas. A organização da Romaria, pede para que todos os romeiros, em cuidado e respeito ao meio-ambiente, levem suas canecas, evitando o uso de copos descartáveis.

Então juventude, nosso encontro está marcado:

Data: 03 de agosto

Horário: às 7 da manhã

Local: Centro Pastoral Santa Fé

Via Anhanguera, s/nº – Km 25,5 – Cx. Postal: 46827 – Perus
CEP: 05276-000 – São Paulo/SP
Fones: (11) 3916-6200/3911-0191

Pessoal não esqueçam o boné, o protetor solar, a caneca para aliviar a sede e a alegria de caminhar e lutar juntos por uma vida digna e justa, para todos os jovens, homens e mulheres deste país, que é bonito demais!

 

 

Salada com chimarrão

Quem não gosta de um churrasco? Meus amigos gaúchos que me desculpem, mas tenho pensado neste dias, se o prazer do sabor e daquele ritual com os amigos aos domingos, se sobrepõe à crueldade a que são levados os animais. Desde pequena me questionava quanto ao coração de galinha, imaginava que aquele pedaço gostoso de carne era um coração e que algum dia já havia bateido dentro de algum peito…aquilo sempre me incomodou.
Hoje, anos depois, talvez tardiamente passo a considerar de fato a não ingestão de carnes? A crueldade com que os animais são tratados é desumana: no matadouro, no corredor da morte, o gado espera a sua vez de ser assassinado por uma pistola pneumática, que atinge o cérebro, há outros métodos em que o gado tem sua jugular cortada ainda vivo….sangram até a morte, agonizam….sofrem.
Quando pintinhos, os frangos são manipulados como coisas, tem seu bico queimado para que não sejam mais capazes de fazer a seleção de seus alimentos, para que consumam a ração e os antibióticos. Outra função da queima do bico é evitar que eles se firam e se comam; isso graças ao nível de extresse dos frangos presos em jaulas.
Isso sem falar nos porcos, nos “baby beef”, nos peixes, baleias…enfim são muitas as formas de crueldade que os animais sofrem para suprir “nossa fome”. E o mais intrigante, o mundo passa por uma crise de baixa na oferta de alimentos, na África há milhares de pessoas que plantam cereais, estes se tornam ração, vao para os grandes exportadores de carne do mundo e alimentam o gado que nos alimentam, sem contar na contaminação que o gado provoca à água.
Não quero aqui ser radical, quero sim provocar uma reflexão diante do tema… sinto que esta guria aqui vai se vestir de prenda e garantir o chimarrão, porque o churrasco ficou para trás.</br>

Esse jornalismo é show

O caso Isabela me cansou e penso quanta disposição pra ver o show que os meios de comunicação estão fazendo. São coberturas ao vivo, direto do helicóptero que sobrevoa o Condomínio onde tudo acoteceu, direto da casa dos “assassinos”, direto da delegacia …. só falta conseguirem uma exclusiva com a menina no céu.
O crime foi hediondo, merece a meu ver pena máxima, o que resulta em 30 anos, no máximo. Mas o que é esta espetacularização com a vida, o que crianças como a menina Isabela estão pensando, a que leva tudo isso?
Retorno àquele questionamento, que iniciamos no primeiro dia de aula na faculdade, para que serve o jornalismo, qual a sua função? É bom chegarmos a uma resposta rápido, antes que outra manchete tome conta de nossos ouvidos e olhares, retomando o show.

Vida Missionária

Missionárias de MoçambiqueNeste mês de maio tive uma experiência riquíssima e encorajosadora…como parte da assessoria de imprensa do 2° Congresso Missionário Nacional, que aconteceu de 1 a 5 de maio, na cidade de Aparecida do Norte. Estas belas mulheres ao lado são de Moçambique e há 5 anos fazem missão em São Paulo. Durante o congresso, Elvira Augusto (à esquerda) deu seu testemunho de vida missionária e alertou àqueles que estão se preparando para irem aos países da África sobre a necessidade de se respeitar a cultura local, conhecer a história daquele povo e sua política.
Só a Igreja Católica conta atualmente com 1900 missionários além fronteiras, destes 98,5% pertencem a Institutos ou Congregações religiosas: 78,89% são mulheres e 19,04% são homens; 12 padres diocesanos, nove leigos e dois bispos. Eles estão espalhados pelo mundo: 703 missionários estão espalhados pelas Américas, 564 na África, 499 na Europa, 94 na Ásia e 12 missionários na Oceania. Os países que contam com maior número de missionários brasileiros são: Itália, Moçambique, Angola, Bolívia Argentina e Timor Leste.
Com o tema “Igreja no Brasil: escuta, segue e anuncia”, a Igreja Católica convoca todos os brasileiros a refletirem sobre suas responsabilidades de, como baizados assumirem a missão e resgatar os valores cristãos para todos os irmãos. A forte presença das mulheres na missão, só atesta o quanto é necessário ter coragem de deixar tudo para trás, em pról dos mais pobres e carentes, carentes de amor e de Deus.

 

Eu respeito a liberdade…da vida.

A humanidade vem lutando para reconquistar seus direitos individuais frente aos contextos sociais já vividos, como em ditaduras opressivas e em se romper tabus, um dos principais deles é o respeito à vida. O modo como o homem lida com a vida e a morte se modificaram ao longo do tempo, a própria definição de vida nunca foi constante. Quem tem o poder de escolha sobre ela e de quando ela se inicia, são questões que têm sido discutidas e gerado manifestações em torno da liberação da proibição do aborto.
Interromper a gravidez, na Roma Antiga, era uma questão de autonomia da mulher sobre seu corpo, o embrião era considerado como uma parte da mãe e, por isso, quem abortava fazia-o dispondo do seu corpo; na Grécia, grandes filósofos, como Aristóteles, justificavam o aborto por diversos motivos, fossem porque a gravidez se encontrava nos seus primeiros meses, não caracterizando vida.
A Constituição Federal do Brasil de 1988, em seu Capítulo 1° e art. 5°, garante a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade e à segurança, o direito à vida; o art. 124° do Código Penal brasileiro pune de 1 a 3 anos mulheres que provoquem aborto em si mesmas, ou consintam que outros o façam, já o art. 128° não pune a prática do aborto quando não há outro meio de salvar a vida da gestante, ou ainda se a gravidez for resultado de estupro.
Uma em cada quatro mulheres da América Latina já realizou aborto
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, seis milhões de mulheres praticam aborto induzido na América Latina todos os anos, destas, 1,4 milhão são brasileiras e uma em cada mil morre em decorrência do aborto. Em países desenvolvidos, nota-se, que não há uma correlação entre a legalidade do aborto e os índices de mortalidade materna. A Rússia, com uma das legislações mais amplas, tem uma taxa de mortalidade materna alta (67 por 100.000 nascidos vivos – NV), seis vezes superior à média. Em contraste, a Irlanda, onde o aborto é ilegal, praticamente em todos os casos, possui uma das taxas de mortalidade materna mais baixas do mundo (5 por 100.000 nascidos vivos), três vezes inferior à do Reino Unido (13 por 100.000 NV) e à dos Estados Unidos (17 por 100.000 NV), países onde o aborto é amplamente permitido e os padrões de saúde são altos, dados empíricos têm demonstrado que a legislação anti-abortiva, no mundo, não tem reduzido o aborto; pelo contrário, tem estimulado os abortos clandestinos e a morte de mulheres.
Na maioria dos países democráticos, as discussões em torno dos direitos individuais vêm se destacando na mídia e a manifestação dos movimentos sociais têm se solidificado frente às legislações dos países.
O Comitê de Luta pela legalização do aborto, foi criado em maio de 2007, por um grupo de mulheres que defendem um atendimento digno às mulheres na rede pública de saúde, exigindo às mulheres o direito à educação sexual, o direito ao planejamento familiar, à informação e o acesso a todos os métodos anticoncepcionais. O Comitê retoma a discussão, de que o Estado brasileiro é laico e democrático, devendo, portanto, respeitar as diferentes opiniões.
Ainda que o Estado brasileiro seja laico, é inegável a influência do catolicismo no país; segundo o censo de 2000, do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, calcula-se que 73,8% dos brasileiros – cerca de 125 milhões de pessoas – sejam católicos. No Brasil a voz da Igreja Católica é a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos, que têm a seguinte posição diante do tema: “Respeitar, defender e promover os direitos da mulher é um dever de todos os que afirmam a dignidade inviolável dos seres humanos.Com a mesma convicção defendemos e apoiamos os direitos do nascituro. Sabemos, por testemunho de credenciados cientistas, que o ser humano, desde a sua concepção, possui o seu próprio patrimônio genético e o seu sistema imunológico. Trata-se de um outro ser humano gerado, de modo que mãe e embrião constituem seres humanos distintos”.
A discussão em torno do aborto é respaldada e fomentada por questões religiosas, científicas, éticas, sociais e econômicas. As profundas transformações sociais que se verificaram nos últimos 50 anos, como a entrada da mulher no mercado de trabalho, as políticas de controle de natalidade e a conseqüente redução das famílias, contribuíram para que a sociedade passasse a separar a vida sexual da mulher da reprodução humana, e ainda a banalizar as relações amorosas, onde o comprometimento e o respeito ao outro, não são precípuos para o relacionamento, tal comportamento tem vitimizado vidas inocentes.
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